domingo, 29 de novembro de 2009

Alguns personagens

Para facilitar a minha vida...
Mais ou menos como são alguns dos personagens:

Alexya












Leolaf













Nuque


Faust
Faliel
Zado

Novos Planos

Eles já estavam se preparando para comer. Faliel estava calado. Faust também. Apenas Zado reclamava o tempo todo do esforço de montar um acampamento. Os três se dispuseram em círculo à volta da fogueira, e Zado continuou.

- Então meus fofos. Agora que já temos o martelo e o bastão. Precisamos apenas da forja e do ultimo item certo?

- Sim Zado. A forja já foi localizada. Partiremos amanhã pela manhã. A forja está em um templo nos Grandes Charcos. Talvez próximo à ponta da asa oeste.

- Charcos... Detesto aquele lugar. Minhas roupas ficam imundas. Não há vilarejos, e portanto, não há mulheres. Apenas o povo lagarto, orcs, goblins, e talvez centauros. Pensando bem... Nunca passei a noite com uma fêmea lagarto nem centaura. Quem sabe...

- Você é doente seu pervertido! Não consegue pensar em outra coisa?

- Só porque você não quer não quer dizer que os outros também não queiram Faliel lindo. Eu sou um homem extremamente amoroso. Gosto de compartilhar este amor com todos. Independente da raça, idade, ou gênero. O prazer é algo tão sublime que deve ser compartilhado com todos. É uma graça divina.

- Sua promiscuidade é profana, isso sim! Me admira você não ter uma horda de crianças para cuidar.

- Ah, meu doce Faliel. Eu sou cuidadoso. Além do mais, não é do meu interesse ter filhos. Seria problemático.

- E exatamente como você consegue esta façanha Zado? O senhor Faliel já foi pai. Eu mesmo tive um filho antes de iniciar minha busca. Se minha memória não falha, você é mais velho do que eu. Como você ainda não teve filhos?

- Este assunto me incomoda. Vou me retirar. Boa noite meus lindos. Façam os planos que eu sei que farão. Vou descançar para ser útil em minha especialidade.

Com isso Zado se levantou e rumou para sua tenda. Os dois outros homens voltaram a conversar entre uma mordida e outra.

- Senhor. A viagem será longa. Os charcos não são um lugar fácil de transpor. Teremos muito trabalho.

- Teremos sim. Mas a ultima parte é q me incomoda. Chegar à forja será fácil. Demorado, mas ainda sim fácil.

- Realmente...

- Não há muitas tumbas para este tipo de criatura neste mundo. Quer dizer... Há muitas mulheres q já morreram sim, mas... Quantas delas foram mortas durante a gravidez de um filho tocado pelos planos superiores?

- Eu consegui identificar uma.

- Você tem certeza?

- Sim! Uma elfa.

- Prossiga...

E Faust então revela à seu companheiro suas descobertas.

Partida

Assim que entraram na oficina, o homem retirou uma chave de suas vestes, moveu duas estantes de lugar, e retirou uma grande arca alojada abaixo delas. A chave abriu um poderoso cadeado que a muito não era molestado.

- Quando forjei estas peças, eu não esperava que fosse para que você partisse com elas. Não são o que há d melhor, mas vão lhe servir bem até que você possa adquirir peças de Darochim ou de Tyoth.

- Quando foi que você as forjou?

- Faz alguns anos. Eu esperava pelo seu aniversário no ano que vem. Claro que preciso fazer alguns ajustes, mas algumas horas devem ser o suficiente.

- Vovô... Porque você não esta zangado comigo? Eu esperava uma reação diferente...

- Na verdade eu estou sim chateado. Mas eu uma vez cometi o erro de virar as costas para alguém. E isso me tirou esta pessoa deste mundo. Não quero que você encontre um destino semelhante somente por eu ser cabeça-dura e teimoso. Depois de uma certa idade minha neta, passamos a pensar no que fizemos em vida, e como poderíamos ter agido diferente em alguns momentos.

- E por isso você esta me ajudando a ir embora...

- Não. Estou ajudando em uma jornada que começa aqui. Talvez o destino a traga de volta, talvez não. Mas se depender de meus esforços, ele a trará de volta, sã e salva.

Alexya abraçou seu avô com lágrimas nos olhos.

- Obrigada vovô.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Vingança

O combate foi brutal. Durou apenas alguns minutos, mas o aposento parecia ter sofrido com uma luta de dias. Lorde Leopold estava estirado ao chão. Sua armadura em pedaços. Seu corpo destroçado. Faliel apenas o olhava impassível.

- Pen... tar... me... aju... de...

- Ela não o fará assassino. Nossa fé revelou quem é merecedor de suas graças.

- Mal... dito...

- Sim. Amaldiçoado por sua inveja, seu orgulho, e sua luxúria. Antes você tivesse apenas chacinado, mas estuprar o corpo já sem vida de minha falecida esposa foi demais. Eu pude ver com clareza seu olhar insano e profano.

- Eu...

- De hoje em diante, Karifael nunca mais retornará. Fizestes um bom trabalho. Aquele homem foi morto. Apenas Faliel restará, buscando o perdão do assassino. Agora eu farei esta busca em paz espiritual. Agora eu sei que não mais existe necessidade para o Leão Negro. Apenas como Faliel eu pude controlar o Rugido. E como Faliel eu devolverei esta arma ancestral ao seu lugar de descanso. Por eras, eu espero, não haverá um novo Leão. A sina de Karifael termina aqui.

- Ent.. tão... por fim... eu... cons... segui...

- Não... Você não conseguiu. Eu consegui. Eu superei o Leão. Eu o coloquei para dormir. O senhor será apenas mais uma vítima. Talvez até um santo lembrado com estátuas e pinturas. Mas quem derrotou o Leão não foi o grande Leopold Winterblade. Mas sua vergonha morrerá aqui junto à Karifael. Que Pentar tenha piedade de sua alma negra eminência.

Com um golpe rápido e poderoso, o grande Leopold foi decapitado por seu algoz.

Zado e Faust já estavam no acampamento à pelo menos duas horas quando Faliel retornou.

Decisões

Ambos voltaram à cabana. Já era final de tarde, e o sol se escondia vagarosamente ao oeste. Alexya parecia diferente, calada, pensativa. Nuque estava também calado. Após entrarem Alexya dirigiu-se a seu avô.

- Vovô... Quero que me conte a verdade. Toda a verdade.

O idoso homem sentou-se à mesa.

- Vejo que não tenho mais como esconder isto de você Alexya. Pois bem.

Alexya olhava para o homem já sabendo o que iria ouvir, mas ainda sim interessada nos detalhes.

- Seu pai não esta morto como eu havia lhe contado. Ele esta vivo, sendo um dos homens mais influentes e poderosos do grande reino de Finnian. Ele foi o responsável pela morte de sua mãe, e por isso, eu nunca permiti que ele pudesse colocar você também em perigo.

- Como ele causou a morte dela?

- Seu pai tinha muitos inimigos. E durante um ataque ao forte que ele ocupava, sua mãe foi morta pela lâmina de um destes inimigos. Ela era uma guerreira competente e poderia ter sobrevivido aquela batalha sem grandes problemas, mas seu pai preferiu usar sua mãe como escudo para vencer a batalha.

- Você tem cer-certeza disso?

- Eu estava lá. Eu vi tudo. Mesmo com toda a gritaria, em meio ao som de aço contra aço, eu pude ver tudo. Minha filha foi sacrificada.

- Entendo vovô. E por isso você me criou aqui, longe dele e de sua crueldade.

- Eu fiz o que pude...

- Tudo é muito novo para mim. Preciso de um tempo para assimilar tudo.

- O que pretende fazer minha neta?

- Vou encontrar-me com meu pai. Ouvir o lado dele da história. E só então me decidirei sobre o que é ou não real.

- Entendo... Você precisará de ajuda.

- Eu a escoltarei Leolaf. Tem minha palavra de que não deixarei que nada de mal aconteça a minha irmã.

- E eu espero poder acreditar em suas palavras. Pois bem. Antes de partir então, você precisará de equipamentos para a jornada Alexya. Venha comigo.

Leolaf se levantou e rumou para fora da cabana seguido por Alexya. Ambos seguiram até a pequena oficina do homem.

domingo, 27 de setembro de 2009

O Leão Negro

- Karifael esta morto! Tu roubastes tua espada.

- Karifale realmente esta morto, assim como sua esposa Corey, seus filhos Mira e Anton, e todos os moradores de Farsand. Você fez um bom trabalho quando incendiou tudo após seu ataque covarde contra mulheres, crianças, e idosos.

- Como tu sabes deste ataque? Não houveram sobreviventes.

- Levou meses para que eu pudesse andar novamente. E anos para aprender e pensar no que fazer. Dediquei-me a encontrar respostas. Estudei, orei, e por fim encontrei a resposta que procurava. Karifael estava morto, e assim deveria permanecer.

- Acabarei com o que comecei anos atrás.

- Não! Hoje, Karifael renasce, por apenas uma noite, para vingar-se daquele que assassinou sua mulher, seus filhos, seus amigos. Aquele que condenou Karifael a dar lugar à Faliel.

- Não pode ser! Eu mesmo te vi sendo alvejado com flechas suficientes para matar qualquer homem!

- Qualquer homem sim... Mas eu nunca fui um homem qualquer. Eu sou o Leão Negro! O maior assassino desta era. E estou aqui para matar você!

- Arrependa-se de teus pecados agora, e poderás encontrar teus queridos.

- Pagarei por meus pecados quando for o tempo de prestar contas a Pentar. Assim como você. A diferença é que você prestará contas esta noite.

- Morra!

Ambos os homens partiram em direção ao outro. O combate foi brutal.

Calor e Frio

Alexya ficou paralisada. Ela sempre achou que seu pai havia morrido há muitos anos. E que sua mãe havia morrido logo após de tristeza. Agora este estranho vinha do nada e lhe contava sobre seu pai vivo e doente, e sobre a história de seus meio-irmãos, e que seu avô tinha mentido sobre seu pai. Era algo difícil de assimilar.

- Você realmente acreditou que sua beleza, agilidade, e habilidade vinham de um pai humano não é? Imagino que você deve estar se perguntando o porquê seu avô não lhe contou a verdade.

Alexya beirava o desespero, estava prestes a desabar em lágrimas.

- Por quê?! Por que ele não me contou?

- Ele teve os motivos dele. Ele culpava, e ainda culpa, meu... nosso pai pela morte de sua filha, sua mãe. Não posso culpá-lo por isso. Se nosso pai não tivesse me feito este pedido, você provavelmente nunca ficaria sabendo disso. E morreria acreditando naquilo que seu avô lhe contou. Ele o fez com a melhor das intenções, e ele a ama o suficiente para agüentar até mesmo o peso de esconder a verdade de você.

- Como ele pôde?

- Não odeie seu avô Alexya. Eu não o faria.

- Como não? Você não sabe do que fala!

- Sei sim. Tenho sido desprezado por meu pai a longos cento e quatorze anos. Eu sou o filho que ele não queria ter tido. Olhar para mim é como olhar para um túmulo na visão de nosso pai. Você não sabia da verdade. Eu sou assombrado por ela desde meu nascimento.

Nuque caminhou em direção a jovem fragilizada.

- Perdoe-me pelo que disse. Eu não tinha o direito.

O elfo abraçou sua irmã.

- Eu... Obrigada.

- Agora que a encontrei, não deixarei você sozinha novamente.

- Eu, entendo. Eu fui egoísta em achar que somente eu tenho problemas.

- E o que vai fazer agora?

- Ainda não sei exatamente. Acho... que vou encontrar meu... nosso pai.

- Posso escoltá-la até ele.

Ambos ainda se mantinham abraçados.

O Despertar do Leão

Gritos. Fumaça. Juras de morte e vingança. Cheiro de enxofre, de sangue, de lágrimas. Medo. Ódio. Dor. Aço. Eles haviam entrado no grande templo da Lâmina Imortal. A contagem de corpos já havia ficado para trás na mente de Faust e Faliel. Apenas Zado continuava a anotar mentalmente a quantidade de vítimas que fizera. Eles estavam finalmente diante das portas do refúgio final do sumo-sacerdote, o grande Leopold Winterblade, líder do culto a Pentar, estrategista-mor de Vectoria.

Os três interrompem seu avanço ante a pesada porta de carvalho trabalhado. Seu objetivo neste templo se encontra à frente, guardado por um homem considerado por muitos como um santo. Um herói de uma insurreição passada. Faliel então quebra o silêncio.

- Deste ponto vocês não poderão passar. Apenas um servo de Pentar pode ultrapassar esta porta.

- Ah, sim, claro querido. E vamos deixar toda a diversão de matar um velho senil e semimorto somente para você. Eu posso acabar com esta porta com apenas um dedo!

- Faça isso seu maníaco, e terei que cavar duas covas. A do sumo-sacerdote, e a sua!

- Nossa... Você fica tão másculo assim... Eu fico até acanhado...

- Zado... Faremos como Faliel deseja. Ele tem este direito.

- E o que exatamente eu ganho com isso, ô grande e viril líder?

- Minha gratidão, e sua vida.

- Como se qualquer um de vocês pudesse me matar... hahahaha... Chega a ser deliciosamente cômico! Deixarei que você se divirta com seu superior Faliel, mas vou cobrar uma compensação... Talvez duas ou três virgens, e talvez um garotinho também... Mas, trataremos disto em um outro momento. Posso pelo menos incendiar esse forte?

- Faça como quiser pervertido, desde que não me atrapalhe.

- Aí que decidido! Estou todo arrepiado!

- Zado! Vamos.

- Até mais velhote.

- Tome cuidado senhor.

- Vão... Eu sei me cuidar.

Faliel ajeitou seu embrulho que estava amarrado as suas costas, e entrou.

O salão era grande, bem iluminado e mobiliado com várias tapeçarias, estatuetas, armas e escudos nas paredes, lustres de cristal, quadros e pinturas religiosas, instrumentos musicais diversos em outro, madeira, marfim, e gemas preciosas. No outro extremo do aposento, estava o grande Leopold Winterblade. Apesar de seus cinqüenta e três invernos, ele era um homem forte, impositor, trajava uma armadura de placas de metal brilhante e reluzente, uma túnica de seda negra prática, e em suas mãos uma espada larga e longa, cravejada de gemas claras e límpidas.

- Pagarás caro por tua blasfêmia invasor. Agora tu conhecerás a fúria e poder de Pentar.

- Não posso conhecer novamente aquilo que me é diário eminência. Servimos a mesma deusa.

- Eu sirvo, mas tu? És um herege! Darei-lhe a punição adequada aos de tua espécie.

- Haverá punição sim, mas não serei eu o punido.

Faliel desenrolou seu embrulho e o empunhou. Surge diante do sumo-sacerdote uma espada descomunal, sem guarda, de um vermelho vivo e lustroso como se estivesse banhada em sangue. Ao empunhar da arma, foi possível ouvir um rugido feroz, como se um imenso leão estivesse declarando sua fúria. O sacerdote não estava acreditando no que via diante de seus olhos.

- Esta... espada... Não pode ser! O Rugido do Leão!

- Sim, o Rugido.

- Quando tu encontraste esta arma? Ela pertencia ao maior assassino que esta geração conheceu! O Leão Negro!

- E este homem tinha um nome. Karifael Eversong.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Verdades Distantes

Ambos caminharam bosque à dentro com calma e em silêncio. Alexya parecia guiar Nuque, que por sua vez a seguia sem questionar.

Em sua mente o elfo analisava a garota a sua frente. Alta, corpo felino e atlético, mas ainda sim extremamente feminino, cabelos negros longos, finos e sedosos, olhos inteligentes, sedutores, e de um azul tão claro quanto o céu em uma tarde de verão, pele branca, em um branco atípico para esta região, em contraste óbvio e gritante com os cabelos escuros e os lábios vermelhos. Uma bela garota, pensou ele.

Assim que chegaram às margens de um riacho Alexya parou e virou-se para seu companheiro.

- Aqui não seremos interrompidos Nuque. Conte-me o que você quer aqui. E talvez você até seja tratado como um hóspede.

- Jovem Alexya...

- Sem galanteios Nuque. Isso até pode funcionar com outras garotas, mas como eu disse, eu sei me defender. E não sou tão inocente assim. Já tenho mais de quinze invernos, não sou uma criança.

O jovem elfo retirou seu manto para ficar mais confortável e encostou-se em uma árvore próxima. Ele trajava vestes de viajante, botas resistentes, e uma armadura de metal leve, bem como portava uma pequena e discreta lâmina em sua cintura.

- Jovem Alexya... Vou começar pelo começo. E eu acredito que você tem uma idéia errada sobre mim, meu motivo de estar aqui, e sobre você mesma.

- Eu sou filho de Dhoan Ruavellian e Eliia Ruavellian. Meu pai é um general dos exércitos de Finnian, e minha mãe foi uma das mais competentes pintoras de meu reino. Digo foi, porque ela já é falecida, tendo feito a passagem logo após meu nascimento.

- Meu pai encontra-se extremamente doente, e logo também fará a passagem. Tenho dois irmãos mais velhos, Aelethil Ruavellian, senhor da torre sul e mestre do estilo de combate da Flecha Branca, e Ryor Ruavellian, senhora das ondas e atual embaixatriz da casa Ruavellian em Vectoria. Ambos são frutos da primeira esposa de meu pai, que veio a falecer durante um ataque goblinóide à cerca de 230 anos atrás.

- Como sou seu filho mais... problemático, ele me incumbiu da missão encontrar todos os descendentes da casa Ruavellian, e trazê-los para que possam ouvir suas ultimas palavras. Meu pai é um homem rígido e dedicado à sua causa, mas não é um pai muito presente. Ele é um bom homem, e agora que se vê as portas do outro mundo, quer estar com os filhos por uma ultima vez.

- Sou o filho que não herdará nada. Não sou o primogênito, não sou um grande guerreiro, nem um grande diplomata. Mas ainda respeito meu pai o suficiente para atender-lhe um ultimo pedido.

- Você deve estar se perguntando por que eu estou lhe contando tudo isso não é mesmo? Pois bem... Meu pai ainda tem mais um descendente, um com o qual ele teve pouco contato, e ainda menos familiaridade. Isso é importante porque este descendente é você, Alexya.

domingo, 20 de setembro de 2009

Preparativos

Ambos pararam e montaram acampamento. Já estava escuro, a chuva havia parado, e a fogueira já estava acesa. Os últimos preparativos já estavam em seus finais, quando Faust quebrou o silêncio mais uma vez.

- Ele já deveria ter voltado.

- Você se preocupa demais garoto. Lembre-se de quem ele é.

- Acho que o senhor esta certo.

Subitamente ambos perceberam que a fogueira queimava com uma intensidade anormal. O fogo estava grande demais, quente demais, vermelho demais. Rapidamente alcançaram suas armas e esperaram.

Das chamas surge um homem feito de fogo, mas em poucos segundos o fogo volta ao normal e revela um homem alto, magro, de cabelos longos e negros, vestes negras com várias runas em um verde doentio e brilhante, bordado com detalhes em ouro em suas bordas. Luvas metálicas de um brilho levemente esverdeado. Uma máscara de porcelana branca cobria seu rosto, apresentando feições de um sorriso macabro e diabólico.

- Por Pentar! Não seja tão espalhafatoso Zado!

Faliel e Faust abaixaram suas armas assim que reconheceram o companheiro.

- Me perdoem a... Foi maravilhosa esta perfomace não foi meus queridos?

A voz de Zado era bela e sonora, porém carregada de uma malícia rivalizada por poucos.

- Evite este tipo de coisa Zado. Nem todos somos pacientes com brincadeiras em excesso.

- Porque toda esta raiva querido Faust? Não esta feliz em me ver? Posso ir embora se você quiser...

- Deixe esta conversa feminina de lado Zado! Trouxe o que eu lhe pedi?

- Ah, mas estamos muito rabugentos hoje Faliel. Dependendo do que eu ganhar eu posso ter trago. O que você pode me oferecer?

- Pare com esta conversa afeminada Zado! Trouxe ou não?!

- Hahahahahahaha... Você me diverte Faliel. É tão lindinho quando irritado...

- Seu depravado filho de uma...

Faliel foi silenciado por Faust que apenas assistia a estranha conversa.

- Zado, já basta. Responda seu companheiro, e pare com estas brincadeiras, pois, não gostamos deste tipo de diálogo.

- Tudo bem Faust. Vou parar de brincar com seus sentimentos másculos e viris... Sim velho. Trouxe sua maldita caixa.

Zado apresentou uma caixa quase tão alta quanto ele, e quase tão larga. Feita de madeira robusta e lustrosa, trancas de ouro e um pequeno entalhe com a cabeça de um leão em sua tampa. Faliel pegou a caixa e se retirou para sua tenda.

Após alguns minutos todos os três estavam novamente frente a frente.

- Então chegaremos ao templo quando?

- Daqui a dois dias Zado. Espero que tenha vindo preparado.

- Eu sempre estou preparado. Aliás, isto me lembra que devo me recolher para descansar, afinal, ainda preciso estudar minhas magias para esta missão. Com licença lindos.

O mascarado caminhou até sua tenda e não mais voltou até a manhã. Apenas Faliel e Faust ficaram para seu jantar e para guardar o acampamento. Entre a mordidas de suas refeições eles voltaram a conversar.

- Ele me dá nojo.

- Ele é nosso companheiro senhor.

- Ainda sim. Não poderia ele conversar como um homem?!

- Ele sempre foi assim, desde quando nós o conhecemos. Piorou depois daquilo.

- Somente um homem depravado como ele poderia conseguir aquilo. Imortalidade. Mas o preço...

- Realmente.

- E tudo porque estávamos lutando naquela maldita guerra. Nunca precisaríamos ter ficado sabendo daquilo se não estivéssemos no abismo.

- Eu ainda acho que ele pagou um preço alto.

- E eu acho que ele adorou cada momento.

- Não sei. Ele sempre foi mulherengo, mas...

- Eu sei. Ainda sim eram criaturas demoníacas.

- Algumas eram belas, mas outras eram asquerosas.

- Trinta e sete! Como, em nome dos deuses, ele aceitou fornicar com todas as trinta e sete filhas da general? Algumas delas pareciam mortas por semanas!

- Mas algumas poderiam facilmente roubar até mesmo a fúria de um deus!

- Sim... Mas o que me intriga foi que ele gostou! Como ele conseguiu funcionar com a mais velha, por exemplo?! Ela era mais horrenda do que o cadáver apodrecido de uma bruxa mutilada! E tinha mais feridas do que uma leprosa! E ainda fedia a pus!

- Não sei explicar senhor. Mas só de lembrar dessa já me fez perder o apetite.

Ambos os homens riram. E não notaram a figura magra e alta que os observava de sua tenda. Por detrás de sua máscara Zado sorriu e salivou antes de sussurrar.

- Meu apetite por poder não conhece fronteiras...