quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Canções

Os três haviam partido de seu acampamento. Estavam Faust e Zado montados, e Faliel correndo. Faust mantinha um trote leve, belo, digno de um cavaleiro com anos de experiência. Zado acompanhava em uma velocidade equivalente, mas sem a mesma habilidade. Faliel corria enquanto entoava canções antigas de batalha e feitos do passado. Faust não podia deixar de sorrir todas as vezes que ouvia Faliel cantar. Ele poderia ter sido um grande bardo, pensava Faust, se não tivesse escolhido o caminho da guerra, seu companheiro poderia ser um homem rico pela arte. Zado foi o primeiro a falar algo.

- Como você consegue cantar e correr ao mesmo tempo velhote? Com a sua idade, sua armadura, e este terreno, você deveria se concentrar em não cair.

- Há! Você não entende nada pervertido! Cantar faz o tempo passar mais rápido. Eleva o espírito. Prepara nossos corações para feitos de bravura e grandeza. Além de ser algo que mantém minha mente afiada. Enquanto acompanho sua velocidade, ainda tenho que me preocupar com a letra, o ritmo, e a entonação. Em um combate é similar. Além do aço cruzando o ar, temos que nos preocupar com o que acontece à nossa volta. Com o próximo golpe, a próxima defesa, mudanças de postura do inimigo. Enquanto luto, minha arma é minha letra, meus movimentos são minha melodia, meu objetivo é minha inspiração. Luto como um poeta, e não como um garoto assustado.

- Boa resposta senhor! Você deveria apreciar mais a arte Zado.

- Eu aprecio. Mas é realmente estranho ouvir algo assim deste velho. Ainda mais em uma voz tão bela. Um talento jogado fora. Ele poderia estar entretendo um salão real.

- Não tenho a postura de corte mago. Sou um homem simples. Vocês que são meus companheiros são platéia mais que suficiente.

- Mudando de assunto senhor. O que acha que devemos fazer?

- Seguiremos rumo ao sul garoto. Para a tumba que você disse ter descoberto. Vamos averiguar se é real.

- Entendido senhor. Apressemos-nos então. Enquanto isso... Por favor, cante a Balada do Soldado Eterno!

- Uma das minhas favoritas meu caro Faust! Vamos Faliel meu colibri de aço. Cante para nós.

- Que seja então garotos!

E eles seguiram caminho, com Faliel cantando e correndo.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Cerveja

Cair da noite. Cansaço. Calor. Sede. Muita sede. E somente uma coisa pode aplacar a sede de um trio de forasteiros.

- Outra estalagem apodrecida... Como de costume...

- Desde que tenha camas limpas e secas, e cerveja barata, eu não ligo.

- Você nunca liga! Nem parece uma mulher...

- Meninas! Não discutam entre si. Teremos uma boa noite de sono, uma bebida agradável, comida quente. O que mais vocês querem?!

- Lençóis de seda, hidromel, frutas, banho quente, roupas limpas, aromas de ervas... Este seria um bom começo!

- Não seja tão rabugenta Clawyn! Poderia ser pior.

- Exatamente como poderia ser pior Tadre?!

- Você poderia ter que dormir com Duran.

- Ei!

- Por Belandros! Isto seria um pesadelo!

- Ei! Eu estou aqui garotas...

- Mas é muito fácil para você falar isso Tadre. Poucos homens resistem a você. Já eu sou uma negação quanto a... Você sabe!

- Hahahahaha... Eu posso lhe ensinar alguns truques Clawyn. É bem fácil até.

- Acho melhor não... Temos gostos bem diferentes.

- Vamos entrar meninas. Estou precisando realmente de uma cerveja depois de ser ignorado pelas duas...

Aventurando-se

Após alguns ajustes e alguns preparativos eles estavam prontos para partir. Alexya estava devidamente equipada, com a mochila pronta. Nuque também já estava pronto. Leolaf começou a despedir-se.

- Bem... Vocês estão prontos. Rumarão para o norte?

- Sim Leolaf. Acho que o mais direto possível.

- Eu acho que vocês poderiam fazer uma parada antes. Para que Alexya possa visitar a mãe dela.

- Mas minha mãe não havia sido enterrada junto ao... Entendi.

- Ao norte, existe um vilarejo nas bordas da floresta de Finnian. Ao leste deste vilarejo há uma colina. Sua mãe foi enterrada lá. Ela tem algo guardado para você lá.

- O quê vovô?

- A Chama Espiritual.

- Leolaf, você quer dizer Mairylavel?!

- Sim...

- Pensei que ela estivesse perdida desde a era das chuvas! Não sabia que sua filha a havia encontrado.

- De todo modo. Acho que vocês podem precisar de ajuda.

- Eu tenho alguns amigos da academia que podem vir a calhar.

- Vamos então Nuque. Pelo visto teremos um longo caminho.

domingo, 29 de novembro de 2009

Alguns personagens

Para facilitar a minha vida...
Mais ou menos como são alguns dos personagens:

Alexya












Leolaf













Nuque


Faust
Faliel
Zado

Novos Planos

Eles já estavam se preparando para comer. Faliel estava calado. Faust também. Apenas Zado reclamava o tempo todo do esforço de montar um acampamento. Os três se dispuseram em círculo à volta da fogueira, e Zado continuou.

- Então meus fofos. Agora que já temos o martelo e o bastão. Precisamos apenas da forja e do ultimo item certo?

- Sim Zado. A forja já foi localizada. Partiremos amanhã pela manhã. A forja está em um templo nos Grandes Charcos. Talvez próximo à ponta da asa oeste.

- Charcos... Detesto aquele lugar. Minhas roupas ficam imundas. Não há vilarejos, e portanto, não há mulheres. Apenas o povo lagarto, orcs, goblins, e talvez centauros. Pensando bem... Nunca passei a noite com uma fêmea lagarto nem centaura. Quem sabe...

- Você é doente seu pervertido! Não consegue pensar em outra coisa?

- Só porque você não quer não quer dizer que os outros também não queiram Faliel lindo. Eu sou um homem extremamente amoroso. Gosto de compartilhar este amor com todos. Independente da raça, idade, ou gênero. O prazer é algo tão sublime que deve ser compartilhado com todos. É uma graça divina.

- Sua promiscuidade é profana, isso sim! Me admira você não ter uma horda de crianças para cuidar.

- Ah, meu doce Faliel. Eu sou cuidadoso. Além do mais, não é do meu interesse ter filhos. Seria problemático.

- E exatamente como você consegue esta façanha Zado? O senhor Faliel já foi pai. Eu mesmo tive um filho antes de iniciar minha busca. Se minha memória não falha, você é mais velho do que eu. Como você ainda não teve filhos?

- Este assunto me incomoda. Vou me retirar. Boa noite meus lindos. Façam os planos que eu sei que farão. Vou descançar para ser útil em minha especialidade.

Com isso Zado se levantou e rumou para sua tenda. Os dois outros homens voltaram a conversar entre uma mordida e outra.

- Senhor. A viagem será longa. Os charcos não são um lugar fácil de transpor. Teremos muito trabalho.

- Teremos sim. Mas a ultima parte é q me incomoda. Chegar à forja será fácil. Demorado, mas ainda sim fácil.

- Realmente...

- Não há muitas tumbas para este tipo de criatura neste mundo. Quer dizer... Há muitas mulheres q já morreram sim, mas... Quantas delas foram mortas durante a gravidez de um filho tocado pelos planos superiores?

- Eu consegui identificar uma.

- Você tem certeza?

- Sim! Uma elfa.

- Prossiga...

E Faust então revela à seu companheiro suas descobertas.

Partida

Assim que entraram na oficina, o homem retirou uma chave de suas vestes, moveu duas estantes de lugar, e retirou uma grande arca alojada abaixo delas. A chave abriu um poderoso cadeado que a muito não era molestado.

- Quando forjei estas peças, eu não esperava que fosse para que você partisse com elas. Não são o que há d melhor, mas vão lhe servir bem até que você possa adquirir peças de Darochim ou de Tyoth.

- Quando foi que você as forjou?

- Faz alguns anos. Eu esperava pelo seu aniversário no ano que vem. Claro que preciso fazer alguns ajustes, mas algumas horas devem ser o suficiente.

- Vovô... Porque você não esta zangado comigo? Eu esperava uma reação diferente...

- Na verdade eu estou sim chateado. Mas eu uma vez cometi o erro de virar as costas para alguém. E isso me tirou esta pessoa deste mundo. Não quero que você encontre um destino semelhante somente por eu ser cabeça-dura e teimoso. Depois de uma certa idade minha neta, passamos a pensar no que fizemos em vida, e como poderíamos ter agido diferente em alguns momentos.

- E por isso você esta me ajudando a ir embora...

- Não. Estou ajudando em uma jornada que começa aqui. Talvez o destino a traga de volta, talvez não. Mas se depender de meus esforços, ele a trará de volta, sã e salva.

Alexya abraçou seu avô com lágrimas nos olhos.

- Obrigada vovô.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Vingança

O combate foi brutal. Durou apenas alguns minutos, mas o aposento parecia ter sofrido com uma luta de dias. Lorde Leopold estava estirado ao chão. Sua armadura em pedaços. Seu corpo destroçado. Faliel apenas o olhava impassível.

- Pen... tar... me... aju... de...

- Ela não o fará assassino. Nossa fé revelou quem é merecedor de suas graças.

- Mal... dito...

- Sim. Amaldiçoado por sua inveja, seu orgulho, e sua luxúria. Antes você tivesse apenas chacinado, mas estuprar o corpo já sem vida de minha falecida esposa foi demais. Eu pude ver com clareza seu olhar insano e profano.

- Eu...

- De hoje em diante, Karifael nunca mais retornará. Fizestes um bom trabalho. Aquele homem foi morto. Apenas Faliel restará, buscando o perdão do assassino. Agora eu farei esta busca em paz espiritual. Agora eu sei que não mais existe necessidade para o Leão Negro. Apenas como Faliel eu pude controlar o Rugido. E como Faliel eu devolverei esta arma ancestral ao seu lugar de descanso. Por eras, eu espero, não haverá um novo Leão. A sina de Karifael termina aqui.

- Ent.. tão... por fim... eu... cons... segui...

- Não... Você não conseguiu. Eu consegui. Eu superei o Leão. Eu o coloquei para dormir. O senhor será apenas mais uma vítima. Talvez até um santo lembrado com estátuas e pinturas. Mas quem derrotou o Leão não foi o grande Leopold Winterblade. Mas sua vergonha morrerá aqui junto à Karifael. Que Pentar tenha piedade de sua alma negra eminência.

Com um golpe rápido e poderoso, o grande Leopold foi decapitado por seu algoz.

Zado e Faust já estavam no acampamento à pelo menos duas horas quando Faliel retornou.

Decisões

Ambos voltaram à cabana. Já era final de tarde, e o sol se escondia vagarosamente ao oeste. Alexya parecia diferente, calada, pensativa. Nuque estava também calado. Após entrarem Alexya dirigiu-se a seu avô.

- Vovô... Quero que me conte a verdade. Toda a verdade.

O idoso homem sentou-se à mesa.

- Vejo que não tenho mais como esconder isto de você Alexya. Pois bem.

Alexya olhava para o homem já sabendo o que iria ouvir, mas ainda sim interessada nos detalhes.

- Seu pai não esta morto como eu havia lhe contado. Ele esta vivo, sendo um dos homens mais influentes e poderosos do grande reino de Finnian. Ele foi o responsável pela morte de sua mãe, e por isso, eu nunca permiti que ele pudesse colocar você também em perigo.

- Como ele causou a morte dela?

- Seu pai tinha muitos inimigos. E durante um ataque ao forte que ele ocupava, sua mãe foi morta pela lâmina de um destes inimigos. Ela era uma guerreira competente e poderia ter sobrevivido aquela batalha sem grandes problemas, mas seu pai preferiu usar sua mãe como escudo para vencer a batalha.

- Você tem cer-certeza disso?

- Eu estava lá. Eu vi tudo. Mesmo com toda a gritaria, em meio ao som de aço contra aço, eu pude ver tudo. Minha filha foi sacrificada.

- Entendo vovô. E por isso você me criou aqui, longe dele e de sua crueldade.

- Eu fiz o que pude...

- Tudo é muito novo para mim. Preciso de um tempo para assimilar tudo.

- O que pretende fazer minha neta?

- Vou encontrar-me com meu pai. Ouvir o lado dele da história. E só então me decidirei sobre o que é ou não real.

- Entendo... Você precisará de ajuda.

- Eu a escoltarei Leolaf. Tem minha palavra de que não deixarei que nada de mal aconteça a minha irmã.

- E eu espero poder acreditar em suas palavras. Pois bem. Antes de partir então, você precisará de equipamentos para a jornada Alexya. Venha comigo.

Leolaf se levantou e rumou para fora da cabana seguido por Alexya. Ambos seguiram até a pequena oficina do homem.

domingo, 27 de setembro de 2009

O Leão Negro

- Karifael esta morto! Tu roubastes tua espada.

- Karifale realmente esta morto, assim como sua esposa Corey, seus filhos Mira e Anton, e todos os moradores de Farsand. Você fez um bom trabalho quando incendiou tudo após seu ataque covarde contra mulheres, crianças, e idosos.

- Como tu sabes deste ataque? Não houveram sobreviventes.

- Levou meses para que eu pudesse andar novamente. E anos para aprender e pensar no que fazer. Dediquei-me a encontrar respostas. Estudei, orei, e por fim encontrei a resposta que procurava. Karifael estava morto, e assim deveria permanecer.

- Acabarei com o que comecei anos atrás.

- Não! Hoje, Karifael renasce, por apenas uma noite, para vingar-se daquele que assassinou sua mulher, seus filhos, seus amigos. Aquele que condenou Karifael a dar lugar à Faliel.

- Não pode ser! Eu mesmo te vi sendo alvejado com flechas suficientes para matar qualquer homem!

- Qualquer homem sim... Mas eu nunca fui um homem qualquer. Eu sou o Leão Negro! O maior assassino desta era. E estou aqui para matar você!

- Arrependa-se de teus pecados agora, e poderás encontrar teus queridos.

- Pagarei por meus pecados quando for o tempo de prestar contas a Pentar. Assim como você. A diferença é que você prestará contas esta noite.

- Morra!

Ambos os homens partiram em direção ao outro. O combate foi brutal.

Calor e Frio

Alexya ficou paralisada. Ela sempre achou que seu pai havia morrido há muitos anos. E que sua mãe havia morrido logo após de tristeza. Agora este estranho vinha do nada e lhe contava sobre seu pai vivo e doente, e sobre a história de seus meio-irmãos, e que seu avô tinha mentido sobre seu pai. Era algo difícil de assimilar.

- Você realmente acreditou que sua beleza, agilidade, e habilidade vinham de um pai humano não é? Imagino que você deve estar se perguntando o porquê seu avô não lhe contou a verdade.

Alexya beirava o desespero, estava prestes a desabar em lágrimas.

- Por quê?! Por que ele não me contou?

- Ele teve os motivos dele. Ele culpava, e ainda culpa, meu... nosso pai pela morte de sua filha, sua mãe. Não posso culpá-lo por isso. Se nosso pai não tivesse me feito este pedido, você provavelmente nunca ficaria sabendo disso. E morreria acreditando naquilo que seu avô lhe contou. Ele o fez com a melhor das intenções, e ele a ama o suficiente para agüentar até mesmo o peso de esconder a verdade de você.

- Como ele pôde?

- Não odeie seu avô Alexya. Eu não o faria.

- Como não? Você não sabe do que fala!

- Sei sim. Tenho sido desprezado por meu pai a longos cento e quatorze anos. Eu sou o filho que ele não queria ter tido. Olhar para mim é como olhar para um túmulo na visão de nosso pai. Você não sabia da verdade. Eu sou assombrado por ela desde meu nascimento.

Nuque caminhou em direção a jovem fragilizada.

- Perdoe-me pelo que disse. Eu não tinha o direito.

O elfo abraçou sua irmã.

- Eu... Obrigada.

- Agora que a encontrei, não deixarei você sozinha novamente.

- Eu, entendo. Eu fui egoísta em achar que somente eu tenho problemas.

- E o que vai fazer agora?

- Ainda não sei exatamente. Acho... que vou encontrar meu... nosso pai.

- Posso escoltá-la até ele.

Ambos ainda se mantinham abraçados.