
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Lírios e Girassóis
Clawyn aqueceu a água com magia, preparou toalhas limpas, separou sabão de ervas, óleos de banho, e fragrâncias de flores. Tudo estava pronto.
- Prontinho jovem Alexya!
- Obrigada Clawyn.
- Então vamos. Não deixemos a água esfriar. Tire suas roupas e entre enquanto eu busco a esponja.
- Tirar a roupa?! Aqui?!
- Claro! Você não pretende tomar um banho de roupa não é mesmo. E também... Oh... Entendi. Você esta com vergonha. E-eu entendo. A-acho que eu e-exagerei. Me de-desculpe...
- Não. Não foi isso. Não fique envergonhada Clawyn. É que eu nunca fui tratada assim. E eu nunca fiquei assim... Nua, na frente de outra pessoa.
- A-ah... s-sim... e-eu... eu nem sei o que di-dizer...
- Bem... Acho que não há problema. Somos duas meninas. Acho que eu devo me acostumar a isso. Não estou mais na minha pequena aldeia.
E assim Alexya começou a despir-se enquanto a envergonhada elfa buscava pela esponja. A água estava quente, mas agradável, e o cheiro das fragrâncias e óleos eram doces e deliciosos. Logo Clawyn chegou com a esponja, e se propôs a lavar as costas de Alexya.
A sensação do calor, somada à miríade de perfumes delicados, e ao toque da esponja, levemente áspera, mas adicionando uma sensação de limpeza ajudavam a relaxar. As bolhas de sabão na superfície da água davam uma cremosidade deliciosa à pele. Clawyn tinha o cuidado de fazer movimentos suaves, que massageavam delicadamente a jovem humana enquanto cumpriam sua função de higiene.
Após alguns poucos minutos a jovem Alexya já estava relaxada e apreciava cada detalhe do banho preparado. Clawyn passou a lavar os cabelos da jovem com uma mistura de ervas, tomando o cuidado de massagear delicadamente e demoradamente a cabeça e o cabelo em toda a sua extensão. O enxágüe do cabelo também foi pensado. A água da jarra estava também aquecida, e além das fragrâncias, continha também pequenas pétalas desidratadas.
- Que perfume delicioso! O que é?
- É um óleo especial que eu mesma fiz com extrato de lírios e girassóis, e pétalas destas flores. E um segredinho meu. Essência de Graça dos Mares.
- Graça dos Mares?
- É uma flor costeira que cresce somente na costa de Fionian. Uma flor delicada, com pétalas peroladas e curtas. Muito parecida com uma rosa, mas sem os espinhos e não cresce em arbustos, mas sim solitária em meio às pedras. É a única flor que cresce nas pedras das praias.
- Deve ser linda.
- É sim. Mas você faz jus a ela.
Alexya ficou vermelha. Não sabia como responder ao elogio. Não queria estragar o clima agradável e amigável do momento. Preferiu apenas sorrir.
A jovem elfa observava atentamente cada detalhe da garota humana. O tom de pele claro, as marcas de uma infância de muitas brincadeiras em pequenas e quase imperceptíveis cicatrizes nas canelas, joelhos e antebraços. Ombros delicados, pescoço longo, mãos pequenas, pernas compridas e lisas. Orelhas simétricas, dedos longos e finos, cílios longos e curvos, sobrancelhas longas e arqueadas. Corpo que misturava de forma sensual menina e mulher. Uma beleza inocente e tentadora.
Alexya percebeu que o olhar de Clawyn era diferente do de suas amigas da aldeia. Diferente do de seu recente irmão Nuque. Mas também diferente do olhar malicioso de Tadre, ou do olhar malandro de Duran. Um olhar que ela não sabia dizer se era de admiração ou de desejo, mas que era com certeza, de um detalhismo tímido e envergonhado.
- O que você esta pensando jovem Alexya?
- Ah?! Desculpe-me Clawyn. Eu estava perdida em pensamentos.
- Pude perceber. Acho que-que eu estou de-deixando você encabulada. Me de-desculpe. E-eu não que-queria pa-parecer indiscreta.
Clawyn se levantou, mas foi detida pela mão de Alexya.
- Calma Clawyn! Não precisa ficar assim. Fique aqui. Por favor.
- Se-se vo-você insiste jovem Alexya.
Alexya sentou-se novamente na banheira e Clawyn voltou a enxaguar o cabelo da jovem. Terminado o banho, Alexya, ainda na banheira relaxava enquanto Clawyn arrumava todos os potes e vidros usados no banho.
- Clawyn. E você? Não vai aproveitar a chance para um banho também?
- E-eu?! Eu não de-devo. Vo-você é que é a co-convidada.
- Não seja boba. Acho que vamos ser companheiras de viagem. Entre. A água ainda está quente.
- Mas... e-eu...
- Eu insisto Clawyn!
Alexya se sentia estranha por fazer um convite como este a uma desconhecida, mas ela se sentia à vontade com esta menina tímida e retraída. Muito mais do que com seu novo irmão mais velho.
- Se-se vo-você in-insiste...
A elfa então se despiu e entrou na banheira. Ambas cabiam com alguma sobra na banheira que era grande para ambas as garotas, apesar de Clawyn ficar totalmente encabulada. Alexya também acabou reparando na beleza de sua nova amiga. Ambas compartilhavam várias características físicas, e poderiam se passar pela outra com facilidade até mesmo para conhecidos próximos caso fossem tomadas as medidas certas. Apenas os olhos, os cabelos, e o tom de voz as diferenciavam para um observador casual.
Após alguns minutos, ambas as garotas riam em seu banho.
A Queda
Faust eliminou o último inimigo com um golpe rápido. Agora restavam apenas Faliel e o líder dos dracotauros. Enquanto o combate entre os dois seguia, Faust aproveitou para procurar dois frascos. Um deles com um líquido vermelho, viscoso e pegajoso. O outro de um verde brilhante e claro. Ele os tomou rapidamente, o combate não iria durar muito tempo e ele teria que agir logo que o líder fosse derrotado.
Zado se apoiou em uma árvore e também buscou por um frasco em seus pertences. Achado o frasco com um líquido azul escuro e grosso, o feiticeiro bebeu seu conteúdo para curar suas feridas.
Faliel desviou do poderoso golpe da espada do líder das criaturas e aproveitou a lâmina do oponente para realizar um salto audaz visando atingir o pescoço da criatura com sua maça. Foi possível ouvir o estalar dos ossos da criatura, privando-a da orientação, garantindo ao sacerdote os segundos necessários para soltar suas maças e sacar uma lâmina pesada para o golpe final. O sacerdote aplicou um corte profundo na criatura, próximo à base do pescoço, finalizando o combate.
Este era o momento que Faust esperava, avançando rapidamente sobre o companheiro em transe, o cavaleiro aplicou uma série de golpes circulares do chão até o alto, avançando um passo a cada círculo. Após o terceiro golpe o cavaleiro passou a inclinar os golpes fazendo com que cada golpe atingisse um local diferente, impedindo uma defesa adequada. O décimo golpe já havia mudado a trajetória da lâmina de vertical à horizontal, era hora de finalizar o Aço em Queda. Com um golpe forte e vertical Faust fez com que o corpo do sacerdote deixasse o chão, aproveitando a impulso o cavaleiro saltou e aplicou o golpe derradeiro, em sentido inverso, visando empalar seu companheiro no chão com a sua arma.
A manobra foi um sucesso. O sacerdote estava inconsciente. Assim que Faust pôde relaxar os músculos, o inesperado aconteceu. O chão onde estavam ele e seu companheiro cedeu, abrindo uma enorme fenda rumo às profundezas da terra.
Zado pode apenas observar a tudo. Ao se aproximar da fenda recém aberta, ele não pode ver o fundo. Mesmo tratando-se de seus companheiros, existia a possibilidade de que eles estivessem mortos. Mas enfraquecido e ferido como ele estava, ele não poderia ajudá-los. Não agora. Mesmo que eles estivessem vivos, eles teriam que esperar. O feiticeiro arrastou-se até seus pertences. Ele precisava ser rápido.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Cerveja e Cenouras
Os dois homens ainda riam quando Tadre chegou à mesa. Antes que ela pudesse pensar Nuque rapidamente levantou-se e puxou a cadeira para que ela pudesse sentar.
- Muito obrigada lindo! Viu Duran! É assim que um homem deve tratar uma dama. Com gentileza e presteza, e não como se eu fosse seu amigo enlameado!
- Mas Tadre, quando eu tentei isso você me acertou uma jarra de cerveja na cabeça!
- Sim! Mas no caso deste seu amigo eu vou deixar ele me cortejar. Quem sabe assim eu e ele não poderemos nos conhecer de forma mais... íntima. Ainda hoje se possível!
Nuque engoliu com dificuldade seu gole de cerveja. Foi pego de surpresa pela cantada.
- É uma possibilidade senhorita Tadre.
- Senhorita?! Nossa, estou abismada. Você além de lindo e educado ainda é eloqüente e delicado. Espero que esteja guardando sua agressividade para algo mais... proveitoso.
- Senhorita Tadre, desta maneira eu fico acanhado.
- Apenas Tadre, senhorita é um termo para moças puras e virgens. Eu estou longe de ser qualquer uma das duas!
Duran olhava a cena com alguma indignação. Nuque estava cada vez mais corado. E Tadre sorria maliciosamente.
- Mas então Tadre, onde estão a Clawyn e a... como é mesmo... Alexya!
- Ambas resolveram tomar um banho. Você sabe como Clawyn se comporta, ela deve estar agindo como uma criada para Alexya. Eu fico a imaginar o por que. Não acha?!
- A minha irmã sendo paparicada seria algo digno de nota. Ela é bem desconfiada.
- Ela me pareceu muito à vontade se você quer saber. Mas se ela é apenas a sua irmã, isso é bom! Assim temos espaço para nós.
- Tadre... Eu AINDA estou aqui sabia!
- Tudo bem Duran. Se você quiser, e seu amigo não se importar, eu devoro os dois! Não seria a primeira vez!
- Senhorita... Tadre, eu e Trevor não somos TÃO amigos assim. E também...
Subitamente Duran usou um tom baixo.
- Irmãozinho, acho que teremos uma nova disputa pela sua vida. Observe a figura encapuzada no canto norte. Sozinha na mesa, no escuro.
Nuque disfarçou e observou. A figura estava em um lugar que impossibilitava tirar qualquer detalhe sobre ela. Vestimentas, armas, armadura, feições do rosto, idade. Nada podia ser descrito. Nem mesmo seus olhos élficos podiam observar mais do que uma sombra sentada à mesa.
- O que você acha Duran?
- Seja quem for, esta nos observando já faz algum tempo. Não mudou sequer de posição, nem um braço esticado, perna dobrada, ou cabeça virada. Não estou gostando. Me lembra alguém.
- Você acha que seria mais um assassino?
- Talvez.
- Ainda bem que vocês homens fortes e másculos estão aqui para me defender. Eu vou saber quem é essa figura.
Antes que pudessem protestar Tadre já estava de pé rumando para a mesa sombria. Ambos puderam apenas observar, atentos e preparados para caso fosse necessário um revide. Tadre fez apenas uma pequena pausa após alguns passos apenas para sugerir algo a seus companheiros, cenouras cozidas.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Tempestade...
O sacerdote partiu em direção ao líder das criaturas. A maioria já havia sucumbido ao poder profano do Juízo dos Bravos. Haviam umas poucas criaturas que agora debandavam em uma tentativa desesperada de escapar da morte dolorosa e certa que Faliel provocava. O líder estava intimidado, mas tinha confiança em sua força e tamanho para vencer aquele pequeno ser que ousava desafiar sua vitória.
Apenas alguns segundos separavam o líder do sacerdote. Nestes breves momentos Faust tentava acabar com os poucos inimigos que ainda teimavam em ficar no campo de batalha. Zado tentava ficar de pé. Seu poder era grandioso. Ele não poderia ser morto por tais criaturas, mas ainda sim, a dor era sentida da mesma maneira que um mortal comum, e esta dor já era grande. O feiticeiro permanecia acordado apenas porque sabia que Faust estaria em termos desfavoráveis caso tivesse que cuidar de dois companheiros desacordados.
Faust tinha um pensamento mais imediato em sua mente. Parar Faliel após ele vencer os oponentes. Ele sabia que ele seria o vitorioso, mas ele não conseguiria parar sozinho. Faliel já havia invocado este transe três vezes desde que se conheceram. Faust já havia sido obrigado a parar o companheiro duas vezes. A primeira, Faust ainda era jovem e não conhecia o poder do transe. Isso custou a Faliel dois meses de coma. E a Faust muito ouro para que pudesse regenerar magicamente seu braço esquerdo e vários órgãos internos destruídos pelo sacerdote.
Para este tipo de evento, Faust sempre carregava com ele um item peculiar, originalmente de um plano neutro, que poderia garantir a vida a uma pessoa que estivesse morta. O item poderia ser usado apenas cinco vezes antes que fosse destruído. Só restavam duas cargas. Hoje, ele teria que fazer uso de uma destas cargas.
Faliel chocou-se com o líder dos dracotauros. O impacto dos seus golpes era sentido pela criatura, mas insuficientes para causar dano duradouro. O líder revidava com golpes poderosos que por sua vez eram defendidos com uma velocidade assombrosa pelo sacerdote. O combate entre os dois foi épico, digno de ser cantado pelos bardos, mas não houve testemunhas além de Faust e Zado.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Entre Mulheres
As três entraram no quarto. Era um quarto grande, porém, simples. Quatro camas, uma pequena arca aos pés de cada cama. Janelas pequenas, uma banheira, dois armários de madeira. Clawyn foi a primeira a falar.
- Bem vinda ao nosso humilde aposento jovem Alexya. Você pode escolher uma das camas e deixar suas coisas aqui. A menos que você prefira a companhia do seu companheiro.
- Ele... É meu irmão.
- Mesmo menina?! Bom saber!
- Tadre! Tenha modos. Não é uma coisa adequada para uma dama falar coisas assim.
- E quem disse que eu sou uma dama Clawyn?! Ele é bonito, alto, aparentemente forte. Meu tipo de homem!
- E qual homem não faz o seu tipo Tadre?
Ambas as mulheres riram e voltaram-se para Alexya que estava vermelha e calada.
- Então seu nome é Alexya. E você é irmã do elfo. O que mais você tem de história para contar?
- Tadre! Não a trouxemos aqui para um interrogatório. Por Belandros! Às vezes eu me pergunto se você é mesmo uma mulher.
- Ora vamos Clawyn. Vai me dizer que você também não achou ele um belo espécime?
- Ele é belo, sim, mas temos que ser educadas com nossa nova amiga. Veja! Ela ficou toda acanhada com este tipo de comentário.
- Bem... Acho que o que você diz é verdade. Eu ainda não me acostumei à idéia de que ele seja meu irmão. Fiquei sabendo há três dias. Acho que ele é bonito sim.
- Muito me estranha ele ser amigo de Duran. Ambos não tem absolutamente nada em comum.
- Se não me engano, eles freqüentaram a academia de Finnian juntos. Nem todos aprenderam as coisas com a vida Tadre. Alguns de nós foram instruídos por professores, tutores, e mestres.
- Ainda sim. Duran não é feio, mas ele bem que poderia ser mais vaidoso. Às vezes eu acho que ele mais parece um bárbaro das Grandes Planícies do que um militar treinado.
- Nisso eu tenho que concordar. Mas deixemos estes assuntos para um outro momento. Alexya, você gostaria de um banho? Posso ajudá-la se quiser.
- Acho que eu não preciso de ajuda quanto a isso...
- Não seja boba. Vou aquecer a água para você, e ajudá-la a lavar seu cabelo. Talvez algumas fragrâncias na água, toalhas macias, óleos.
Tadre observou Clawyn com um olhar malicioso.
- Por que você nunca me ofereceu um banho assim Clawyn?
- Ah... bem... eu... Você nunca... Nós nunca tivemos a oportunidade. É isso.
- Nada contra você Alexya. Mas ela nunca me tratou assim. Fiquei com um pouco de ciúmes.
- Eu... eu... Eu posso preparar um p-para você também Tadre. Só achei que v-você não gostasse destas c-coisas luxuosas. E-eu...
- Realmente, eu não gosto muito. Façam como quiserem. Eu vou beber algo com os homens.
- T-tudo bem. Ah... Alexya, s-se você achar que é m-muito, e-eu entendo...
- Acho que vou aceitar o banho. Você o ofereceu tão empolgada que parece ser algo excelente.
- M-mesmo?! Vou preparar tudo!
Assuntos Masculinos
Os homens encontraram uma mesa adequada. Poderiam conversar sem problemas e com privacidade. Havia espaço para a comida e a bebida. Trevor sentou em uma das cadeiras e deixou o corpo relaxar enquanto ajeitava sua caneca na mesa. Nuque fez o mesmo.
- É realmente muito bom vê-lo irmãozinho. Mas cá entre nós... Irmã?! Você já foi mais criativo...
- Desta vez é verdade Duran. Meio-irmã, mas ainda sim, sangue do meu sangue.
- Verdade? E como foi isso?
- Meu pai pediu que eu a encontrasse. Ele está próximo da passagem.
- Lamento saber. Seu irmão será o novo General Prateado então?
- Acredito que sim. Ele é o primogênito. E também um soldado bem mais experiente, estrategista brilhante, líder firme...
- E não se esqueça de arrogante, cretino, e chato!
- Ele nasceu e foi criado para substituir meu pai quando fosse o momento. Já estava escrito.
- Talvez sim. E você? Como fica nisso?
- Minha irmã Ryor acredita que eu deva aceitar o título de Margrave.
- Imagino que sim. Ela será Ducis afinal de contas. Mas não foi isso que eu perguntei.
- É, eu sei amigo. Para ser sincero, não pensei sobre o assunto. Você sabe que eu não gosto destas coisas de política. Além do mais, meu pai nunca gostou muito de mim. Continuarei um homem pobre.
- E justo agora que eu tinha a esperança de ter um amigo nobre...
Ambos riram de forma sincera e amigável. Trevor então se esticou e usou um tom mais baixo.
- Há um prêmio pela sua cabeça irmãozinho. Alguém quer você morto. E esta disposto a pagar muito por isso.
- Fiquei sabendo disso. Quanto?
- Duas mil.
- Halendor! Uma quantia dessas deve ter atraído metade dos assassinos do mundo!
- Na verdade sim. Até me fizeram uma proposta. Doze mil pelo incômodo de trair a sua amizade e privar-lhe de seu coração.
- E você?
- Dançaria com um vestido de meretriz amarelo à frente desta horda de assassinos antes de sequer pensar sobre o assunto.
- São muitas moedas Duran. Poderia comprar conforto para o resto de seus dias.
- E eu perderia a dignidade ao trair nossa amizade. Não, obrigado. Eu passo! Além do mais... Você nem vale isso tudo!
- Ei... Eu ainda não fiz nada com suas amigas. Estou sendo cavalheiro!
- Eu não poderia trair você irmãozinho. Não depois da academia. Eu ainda guardo comigo.
- Guarda com você? Do que você esta falando?
- Disso! – E Duran mostra uma ponta de flecha presa a uma corrente em seu pescoço. – Essa pequena ponta de flecha deveria ter me matado. Mas não matou. Não matou porque seu braço vigilante estava ali para me salvar. Enquanto eu viver, eu irei retribuir isso irmãozinho. Nada, nem ninguém vai matar você enquanto eu puder impedir.
- Obrigado Duran.
- Ah... Isso soou muito afeminado? Fiquei preocupado agora...
Ambos os homens riram alto enquanto brindavam ao seu reencontro.
Olhos da Morte
Um golpe forte. Duas defesas rápidas. Outro golpe poderoso. Dor. Sangue. Seu sangue que escorria pelas frestas de sua armadura pesada. O combate estava ficando desfavorável. Faust já havia sinalizado à Faliel seu intuito. Bastava agora criar a abertura para sua manobra. Seria fácil se não houvesse tantos deles. Ele precisaria lidar com os que estavam á sua volta primeiro.
Zado estava ficando sem magias. Já havia incinerado uma dezena das criaturas, mas ainda sim estava sendo cercado por elas. Seu corpo já havia sido ferido em vários lugares e isto estava afetando sua concentração e sua mobilidade. Se um dos seus companheiros não vier em seu auxílio, ele será um alvo fácil para os inimigos.
Faliel percebe que algo esta anormal. Os oponentes são muito numerosos, bem treinados. Algo não está certo. Zado esta em situação complicada. Rodeado de inimigos ele é quase tão indefeso quanto uma criança. Faliel precisa ajudar seu companheiro, mas a única forma de fazer isso lhe impediria de ajudar Faust em sua manobra. Pelo menos inicialmente, sua tendência seria deixar o feiticeiro ser massacrado, mas, seu líder desaprovaria. O cavaleiro negro teria que esperar. Ele precisa do mago vivo. Faliel detesta ter que recorrer ao seu dom dos tempos de nômade, mas não há outra maneira.
- Pentar! Eu lhe suplico! Feche meus olhos com a escuridão de meu passado!
Ouvir estas palavras sempre alertava Faust de que Faliel estaria indisponível por alguns minutos. Zado deveria estar encurralado para ele se valer deste poder.
Zado já tinha uma opinião mais profunda. O estado de espírito que o sacerdote invocava era muito perigoso. Perigoso o suficiente para que ele não tivesse plena confiança nas ações do companheiro. Ele sabia que haveria uma montanha de corpos quando ele parar de lutar, mas isso também significava entrar em um coma induzido por mais de uma semana. Era uma das poucas coisas que aterrorizava o feiticeiro. Os olhos negros e sem vida de seu companheiro traziam a morte, de tudo e de todos. Apenas Faust conseguia segurá-lo nestes casos, e mesmo assim a custos elevados.
Os olhos de Faliel escureceram. Sua boca abriu em um rugido bestial e primitivo. Seus músculos estalavam em espasmos súbitos e monstruosos. Ele saltou em direção dos inimigos. Sua maça era tão poderosa que era possível ouvir os ossos das criaturas estilhaçando sob sua carne. Os golpes de seus punhos eram duros como aríates. Sua velocidade era inumana. Monstruoso. Nem mesmo o couro resistente dos dracotauros resistia ao impacto dos ataques do sacerdote em transe profano.
O terror se espalhou entre as criaturas. Apavoradas, elas buscavam parar o sacerdote. Suas mentes primordiais sabiam que ele era a maior ameaça ali. Um predador natural para eles que não tinham um predador. Mesmo aqueles que estavam em combate com os outros passaram a buscar uma maneira desesperada de parar aquele humano, antes que ele voltasse sua atenção a eles.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Cartas
O rapaz amarrou o assassino com cordas firmes e pediu para que o taverneiro chamasse a milícia local para prender o assassino.
- Você deveria ter mais cuidado elfo. Se não fosse por nossa ajuda, você estaria morto agora.
- Se vocês não estivessem aqui, gordão, eu teria cuidado de tudo sozinho.
- Isso me soou como um desafio...
- Saque!
Ambos sacaram e mostraram uma carta de papel no mesmo tamanho de uma carta de tarô.
- Argh! Martelo!
- Exatamente elfo! Sua vez de pagar as bebidas!
Ambos começaram a rir e se abraçaram.
- Bom ver que ainda não perdeu seu charme Nuque.
- É bom ver você também Trevor! E quem são suas companheiras?
As duas mulheres e Alexya se aproximaram da dupla.
- Nuque, tenho o imenso prazer em lhe apresentar minhas companheiras de viagem. Tadre e Clawyn! Garotas, este é meu grande irmãozinho Nuque! E quem é esta gracinha de menina que esta te acompanhando Nuque? Sua nova namorada?
- Deixe de palhaçada Trevor! É minha irmã, Alexya.
- Você nunca me disse que tinha uma irmã. Muito menos uma bonitinha! Deve ter puxado a outra parte da família!
Alexya ficou vermelha e não conseguia responder.
- Por Belandros! Você é muito grosseiro Duran! Ela ficou envergonhada. Brutamontes. Prazer
Alexya observou as duas mulheres e balançou a cabeça de forma tímida. Clawyn era uma elfa. Muito bonita, baixa, delicada, de cabelos dourados e encaracolados longos e bem tratados. Olhos azul turquesa, pele clara e radiante, mãos delicadas. Ela vestia robes brancos, com detalhes dourados e em um tom de azul que lembrava Alexya do céu em uma tarde calma de outono. Ela tinha uma voz clara, musical, quase hipnotizante, porém baixa e quase sussurrada.
Tadre já era uma mulher completamente diferente. Alta, bronzeada, corpo atlético e felino. Cabelos em um vermelho vivo e brilhante cortados curtos, mãos fortes com dedos longos, olhos dourados e inquietos, extremamente sensual até em seu modo de andar. Ela vestia uma armadura de couro reforçada com rebites de metal, botas resistentes. Tinha uma voz grave e alta, mas ainda sim feminina, uma voz de uma guerreira adicionou depois de algum tempo. Dois traços chamavam atenção
Tadre foi a primeira a falar algo.
- Muito bem meninos. Vocês tratem de conseguir uma mesa para nós damas. Enquanto isto, vamos subir aos nossos quartos com nossa nova amiga para quebrar o gelo e explicar todos os segredos maliciosos sobre vocês homens fortes e viris.
- Mas Tadre, eu apenas...
- Ela está certa Duran. Você é muito indecente. Além do mais, ela deve estar cansada, e precisa vestir algo mais confortável.
- Eu posso...
- Não você não pode Duran. Consiga nossa mesa. Você elfo, já que é amigo de Duran, também deve ser safado, então ajude-o!





